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Nossa história é repleta de bons momentos, cada idade pode ser vivida com muita alegria e vigor, acredito que você leitor e leitora, consegue recordar de vários acontecimentos e experiências maravilhosas. Uma das “idades” que mais me deixou saudade foi a de quando tínhamos 12 a 14 anos, eu e meus amigos nos encontrávamos na praça da Igreja para uma brincadeira que se chamava “Salva”, escolhíamos o que ia “pegar” todos, delimitávamos o espaço onde podia-se correr, e pernas pra quem tivesse! O “pegador” devia bater nas costas de cada um que capturava e gritar “Tá pego!”, pronto aquele ia para uma árvore ou poste escolhido e ficava “grudado” nela com uma mão e com a outra esperando ser “salvo”! A cada um que era capturado, ia se formando um cordão de meninos, com as mãos dadas e ligados ao lugar da “prisão”, mas se um dos amigos conseguisse passar e tocar no cordão humano gritando “SALVA”, era moleque para todo lado! Todos estavam salvos!

Veja que “providência”, um pegador, um cordão humano e um salvador, na praça da Igreja, pode parecer algo sem ligação, mas não é, Deus usa de diversas formas para educar seus filhos! Vamos lá!

Neste mundo ninguém vive sozinho, isolado, mesmo que indiretamente dependemos uns dos outros, é o desejo do Pai ao criar a humanidade, “e disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só…” (Gn 2,18); assim caminhamos como naquele cordão da brincadeira, de mãos dadas e submetidos a erros e acertos! O “pegador” nada menos que o diabo, e a prisão que, constantemente somos colocados, nada mais é que o Pecado, afinal, ”com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3,23), e sozinhos não podemos nos salvar! É assim que vamos reconhecendo a necessidade de um salvador, agora não mais um amigo qualquer, que correndo toca em nossas mãos gritando “salva”, mas aquele “que se entregou por nossos pecados, para nos libertar da perversidade do mundo presente, segundo a vontade de Deus, nosso Pai” (Gl 1,4), e tornou-se a Salvação para a humanidade, que está na Igreja das praças da vida!

A Congregação para a Doutrina da Fé, em 22 de fevereiro de 2018, apresentou uma Carta aos Bispos da Igreja Católica, sobre alguns aspectos da salvação cristã, chamada Placuit Deo, que significa Aprouve a Deus, onde no parágrafo 12 aos 14, vai tratar sobre a Salvação na Igreja, corpo de Cristo, afirmando que o lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja, comunidade daqueles que, tendo sido incorporados à nova ordem de relações inaugurada por Cristo, podem receber a plenitude do Espírito de Cristo (cf. Rom 8,9). É preciso compreender que a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas forças individuais, como gostaria o neo-pelagianismo, mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja. Além disso, uma vez que a graça que Cristo nos oferece não é, como afirma a visão neo-gnóstica, uma salvação meramente interior, mas que nos introduz nas relações concretas que Ele mesmo viveu, a Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Enfim, a mediação salvífica da Igreja, «sacramento universal de salvação», assegura-nos que a salvação não consiste na auto-realização do indivíduo isolado, e, muito menos, na sua fusão interior com o divino, mas na incorporação em uma comunhão de pessoas, que participa na comunhão da Trindade.

Na Igreja, por meio dos sacramentos, entre eles, o Batismo que é a porta, e a Eucaristia que é fonte e culmine somos inseridos na obra redentora de Jesus e assim tomamos posse da Salvação.

Muitas vezes a salvação é vista como libertação do corpo e das relações concretas que a pessoa vive, pelo contrário, como somos salvos «por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo» (Hb 10,10; cf. Cl 1,22), a verdadeira salvação, longe de ser libertação do corpo, compreende também a sua santificação (Rm 12,1).

Aqui vemos a importância da Missa na vida das famílias como peça importante da Salvação, o Papa São João Paulo II, na sua carta encíclica, Ecclesia De Eucharistia, sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, diz assim: “A incorporação em Cristo, realizada pelo Batismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade conosco: « Chamei-vos amigos » (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: « O que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: « Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós » (Jo 15, 4)”.

Como famílias, somos chamados a viver a Salvação através da Missa e da Vida em Comunidade, assim teremos a certeza que “Ele está no meio de nós”! Rezemos como São Tomás de Aquino: « Bom Pastor, pão da verdade, Tende de nós piedade, Conservai-nos na unidade, Extingui nossa orfandade. E conduzi-nos ao Pai. Aos mortais dando comida. Dais também o pão da vida: Que a família assim nutrida. Seja um dia reunida. Aos convivas lá do Céu ».

Paz e bem!

Paulo Angelo Lourenço dos Santos – Diretor e Coordenador do CET – Paulo VI.

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