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Marcos é o evangelho mais antigo, escrito mais ou menos do ano 65-70, centrado na vida pública de Jesus, sua morte e ressurreição. Temos nele somente duas referências à Mãe de Jesus, que para muitos leitores precipitados, parecem ser anti-marianos.

Marcos 3,31-35 lembra um momento da pregação de Jesus em que aparecem alguns parentes e sua mãe. Sabendo da presença, Jesus responde que a sua família é mais vasta e ultrapassa as fronteiras do sangue e do parentesco físico, e nasce da obediência à vontade do Pai.

Tal resposta, somente na aparência poderia significar uma não valorização dos laços que o unem à sua Mãe. Maria, mais do que qualquer outro é a que faz a vontade do Pai e se abre totalmente à colaboração com o desígnio de Deus. A sua grandeza não vem tanto da dignidade de ser mãe física do salvador, mas no identificar-se plenamente no projeto que Jesus mesmo anuncia. Neste sentido ela é ainda mais profundamente a “mãe de Jesus”, bem no sentido do que Jesus acaba de proferir. Neste sentido, teremos as leituras de Jo 19,26; Lc 2,28.35.38 (confira!)

Santo Agostinho afirma: “Talvez Maria não tenha feito a vontade do Pai?…Sem dúvida que a fez e por isso conta muito mais para Maria Santíssima ter sido discípula de Cristo do que ter sido Mãe (física) de Jesus”.

Este texto de Marcos impede de reduzir a grandeza de Maria ao plano puramente biológico: importa buscar tal na sua acolhida do plano do Pai, no seu SIM.

O segundo texto marquiano sobre Maria é: Marcos 6,1-6: o pessoal de Nazaré, ao ouvir falar das maravilhas que seu conterrâneo Jesus fazia, ficara, admirados, e diziam: Não é este o filho de Maria.

O texto difere de Mateus 13,55 (confira!), que fala do “filho do carpinteiro”. O motivo parece implícito uma afirmação sobre o nascimento virginal de Jesus. Marcos não traz nenhum fato da infância de Jesus, e por isso não poderia colocar aí um homem como pai de Jesus, o que referendaria um nascimento em processo natural comum. Marcos deixa claro que Maria é aquela que soube em tudo fazer a vontade do Pai.

 

Fonte: Maria, Toda de Deus e tão humana – Afonso Murad

Adaptação: Diác. Márcio Henrique Lopes

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