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Quando me pediram para escrever este artigo, eu pensei: O que irei escrever? Parece-me que já escrevi tudo o que sei sobre Dízimo. Então, decidi-me a falar da minha espiritualidade sobre o Dízimo.

Eu vejo o Dízimo como um mandamento de Deus, apresentado tanto no Antigo como no Novo Testamento; também o vejo como uma diretriz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Por isso, após a Assembleia da CNBB de 1974, decidi implantar o Dízimo e as Comunidades Eclesiais de Base em toda a Diocese de Umuarama.

Foi muito trabalhoso preparar e praticar estas duas pastorais.

Quero falar de como eu me sinto dentro dessa Pastoral do Dízimo. Eu incentivei a implantação do dízimo e, principalmente, sou um dizimista fiel. Meu trabalho a favor do dízimo na Diocese ou nesse Brasil afora, não foi para transmitir normas e regras sobre o assunto, mas para transmitir algo em que eu acredito e vivo.

O dízimo para mim não é um assunto de dinheiro, mas sim uma maneira de amar a Deus e à Igreja e contribuir para que Deus seja amado e glorificado, e a Igreja tenha o necessário para evangelizar e formar evangelizadores.

Com a ajuda da catequese permanente, feita por meio dos Grupos de Reflexão e nas CEBs, levando seus participantes a um conhecimento maior da doutrina da Igreja e, consequentemente, a uma vivência melhor da fé, esperança e caridade, os fiéis entendiam que tinham que assumir também o oferecimento do dízimo. Por isso, tenho a convicção de que antes de falar sobre o dízimo é preciso falar de Deus e de seu plano de salvação realizado por meio do Verbo Encarnado, Jesus Cristo

Para evangelizar sobre o dízimo, é preciso ser um bom dizimista. Desde o início dei além do meu trabalho, do meu tempo e das minhas capacidades, ofereci sagrados dez por cento do que ganho. Quando, em 1987, fui aposentado pelo INSS, deixei de retirar o salário que a Diocese me pagava, e oferecia ainda o dízimo da minha aposentadoria. Hoje, que sou emérito, ou aposentado, pela Diocese, ofereço dois dízimos, um para a paróquia onde moro e outro para a Diocese

Eu não ofereço o meu dízimo para negociar com Deus, esperando que na sua infinita generosidade ele me devolva mais do que lhe ofereço. Contudo, estou certo de que não me apegando ao dinheiro, que é o falso deus ou ídolo de tanta gente, Deus nunca me deixará faltar o necessário.

Posso comprovar isto com dois fatos. Em vários cursos e reuniões, em Umuarama ou em outras regiões onde o sistema do dízimo já funcionava, escutei muitos e comoventes testemunhos de pessoas cuja vida mudou completamente p a r a m e l h o r (t a m b é m financeiramente) depois que elas passaram a oferecer, de fato, o dízimo (10%). O outro fato é testemunho meu e de toda a Diocese. Enquanto exerci o cargo de Bispo Diocesano, responsável também pela parte financeira, a Julho de 2020 23 Dom José Maria Maimone, SAC. Bispo Emérito da Diocese de Umuarama-PR. A espiritualidade do Dízimo Diocese nunca passou por dificuldades financeiras e até podia ajuda r a s paróquias mais pobres, de diversas maneiras. E eu, dizimista, sempre tive mais do que eu precisava e merecia

Eu nunca m e preocupei em garantir o meu futuro. Nunca comprei um carro para mim, nem terrenos, nem casas, pois tenho plena confiança de que Deus cuidará de mim. É o que está acontecendo, sem que eu quisesse fiquei morando na Casa Episcopal da Diocese, e além das funcionárias necessárias, por iniciativa e bondade de nosso Bispo Diocesano, tenho uma cuidadora que zela por mim, ancião de 88 anos. O que está sendo muito providencial nesse período da pandemia.

Bendito e louvado seja Deus por sua infinita bondade e misericórdia!

Dom José Maria Maimone, SAC.
Bispo Emérito da Diocese de Umuarama-PR

Fonte: Informativo Diocesano – Ano 45 – Número 467 – Julho de 2020.

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