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A humanidade esqueceu que é humana. Levado por uma arrogância incontida, o homem presumiu chegar aos céus por seu próprio engenho, como em Babel. Aquele “sereis como deuses” fê-lo esquecer que tem os pés de barro. Inconformado com os limites que lhe impõe o existir humano, atribui-se dons divinos como a onisciência e a onipotência. Ignorando a realidade imanente da existência e a finitude desta vida, o homem pretende alcançar a transcendência do eterno, do infinito e da imortalidade.

Diante dessa situação, a Palavra de Jesus sobre Cafarnaum parece ser bem oportuna, ainda que em outro contexto. Ao invés de chegar aos céus, o homem se depara com uma situação infernal. Perdido no seu desvario, chama-o à razão um insuspeito vírus, que vindo do nada prostrou a humanidade, revelando-lhe toda a amplidão da sua vulnerabilidade e limitações. A sobrevivência da humanidade vê-se seriamente ameaçada, não por um poderoso arsenal bélico com que se armaram as grandes potências, mas por um invisível micro- -organismo. As terríveis armas que podem destruir o planeta num instante são totalmente inócuas diante de um insignificante vírus. As somas astronômicas ocultas no tesouro e nos bancos das superpotências não conseguem, sequer, prevenir a grande ameaça e muito menos saná-la.

A história da humanidade é determinada pela fraqueza, e não pela força. A globalização das doenças, da fome, da precariedade sanitária, as agressões à natureza ameaçam muito mais do que as armas. Ou a humanidade encontra outro caminho, ou estamos condenados ao desastre universal. A proposta independente e isenta de ideologias dos cientistas e pensadores sensatos é o caminho da solidariedade globalizada, o multilateralismo inclusivo. Essa visão muda radicalmente os paradigmas. O outro (pessoa ou país) não é mais visto como um competidor ou rival, e um novo conceito de alteridade convence que o meu destino está ligado ao do outro. Ninguém e nenhum país sobrevive sozinho, e a mundialização do progresso e do bem-estar é a solução do impasse em que se encontra a humanidade.

Esta sábia e sensata reflexão dos cientistas está de acordo com o rumo que nos aponta a Sagrada Escritura. A busca incessante da humanidade é a felicidade, nunca plenamente alcançada. Com muita objetividade e simplicidade, Cristo proclama as bem-aventuranças como o caminho da felicidade. Desde os primórdios da história o homem está à procura da paz, e esta, como uma miragem, sempre lhe escapa. Cristo está aí a anunciar: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Mas não a dou como o mundo a dá” (Jo 14, 27). Quando os chefes das nações deixarem de as oprimir e exercerem o mandato no espírito de Jesus, “Eu estou entre vós como quem serve” (Lc 22, 27), o mundo conhecerá a paz e as pessoas viverão a tão sonhada felicidade.

Frei Justino Felix Stolf, OFMCap Diretor do Centro de Estudos São João XXIII Umuarama – PR [email protected]

Informativo Diocesano (Diocese de Umuarama) – ano 45 – Nº468 – Agosto de 2020.

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