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Será que o que mostramos ser para as pessoas é o que somos de verdade? Temos vivido um tempo de aparências, em que as pessoas querem ganhar o mundo inteiro, mas acabam perdendo a si mesmas. Um tempo da superficialidade e das relações frágeis, da insegurança e do medo de perder e de arriscar.  Uma cultura que valoriza a o “ser – útil”, de estar sendo produtivo a todo o instante, com a agenda lotada, para suprir o vazio no peito. Vendem a idéia de que é preciso ter coisas para se sentir alguém. Muitas pessoas não são amadas realmente, mas sim o que as atrai são sua utilidade e serventia. Quando não serve mais, são jogadas fora! Como se estivesse descartando um lixo qualquer. São poucas as relações que tem sido duradouras e que suportam as lamúrias e tristezas dos outros, aceitando-as em sua pior versão.

O ser humano tem se vendido para o dinheiro e para a promiscuidade em busca de uma liberdade, embora não passe de uma libertinagem.  Não estou aqui para acusar, nem generalizar e muito menos julgar as situações, mas sim apontar aquilo que está embaixo de nosso nariz, que muitas vezes não enxergamos, pois estamos mais preocupados em cuidar da vida alheia do que olhar as nossas próprias fraquezas. Está havendo uma inversão de valores e a vida tem sido levada de uma forma fútil e leviana. Há uma busca exagerada por ser visto, de mostrar ao mundo aquilo que se faz ou o status que se tem. A vida íntima e privada deu lugar ao público e ao exibicionismo. As pessoas pedem respeito ao outro, no qual elas mesmas não se dão. Exigem do outro aquilo que elas não estão preparadas para dar. É um show de egoísmo e narcisismo, achando-se o centro do mundo, embora possua uma dificuldade de lidar com aquilo que é contrário a sua opinião. Por si só, vamos mostrando sua incoerência e hipocrisia. O homem que vai devorando a si mesmo.  Afinal, o que somos na verdade? Temos sido a verdade de quem? Será que somos aquilo que queremos ou somos a vontade dos outros? É muito dolorido quando procuramos mais agradar o outro do que a nós mesmos. Essa mentira vivida vem à tona em forma de angústia e de insatisfação diária. Aí vem o desespero de ver que tempo passa voando, mas na verdade o tempo é o mesmo e somos nós que não concretizamos nada de essencial e profundo. Ainda, nos enganamos com as metas para os anos seguintes, apenas para aliviar a culpa por não ter feito nada, por ter sobrevivido na superficialidade e de não ter crescido interiormente.

A vida é uma busca, mas não é raro escutar reclamações e murmurações diárias de insatisfação. Estamos mais preocupados em conquistar aquilo que nos falta do que olharmos e cultivarmos aquilo que temos para fazer brotar e crescer.

As pessoas estão precisando de coisas simples, mas que hoje parece ser raríssimo encontrar, como: ser olhada nos olhos, serem escutadas, terem pessoas fiéis ao lado, ter alguém com que possa contar, receber um abraço, um elogio sincero, um reconhecimento sem nada em troca e sem interesse, alguém que lhe suporte quando não está bem, alguém que dê aconchego, colo e limites necessários. Tenho percebido que não há nada melhor que ser amado e amar, sentir-se livre, carregar uma paz interior e ter o sorriso solto. Muitos querem conquistar o mundo, mas se esqueceram de conquistar a si próprio.  

Lucas Botta Antonelli
Psicólogo – CRP 08/21088
Cianorte-PR
[email protected]

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