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De início, já comunico que esse assunto é polêmico. É uma discussão que gera muitas opiniões, controvérsias e debates por aí, principalmente pela variabilidade das configurações familiares que nos deparamos atualmente, que sai do tradicionalismo, e também, pelasconsiderações realizadas sobre sexo, identidade e gênero que vem ganhando espaço em nosso cenário. O risco que corro aqui é de ser tendencioso e trazer muito um olhar enviesado. Explico-me nesse início, pois gostaria que lessem esse texto compreendendo que são apenas algumas considerações a respeito da figura masculina. Não são ideias absolutas, mas sim algumas experiências que o cotidiano nos apresenta. Não quero aqui confundir papéis dos homens e das mulheres, nem mesmo limitar ou classificar o que é de cada um. Apenas, como já supracitado, pensarmos sobre algumas questões referente ao homem e a mulher.

É extremamente preocupante a realidade que vivemos à respeito da violência dirigido as mulheres. A formação cultural que recebemos é de que o homem é superior a elas. Estamos enraizados na ideia do homem provedor e da mulher serva. Trago aqui serva não no sentido daquela que zela, que cuida e auxilia, mas sim da ideia que tem sido construída da figura feminina como um ser inferior, estando abaixo do homem e tendo o dever, como obrigação, a fazer tudo o que os homens querem. Aí estão os machões! Tratam as pessoas assim. Querem a todo o custo mostrar sua virilidade, sua força e brutalidade nas palavras e no discurso. Gritar para a sociedade e quererem provar “quem manda em casa.”Toda essa rispidez  parece apontar um medo tão grande de perder o lugar, de não ser um “homão”, de vir aparecer as fragilidades, e a todo o custo procuram se proteger, vivendo na defensivae impondo sua força. É como se viesse, diariamente, à tona aquela célebre frase que tanto faz mal aos homens: “homem não chora.” Por não chorarem, muitos tem morrido de angústia e tristeza. Tem carregado fardos pesados e destruído gerações e relacionamentos.

Alguns machões buscam tanto a supremacia que não conseguem ceder espaço para o diálogo. Agem como se nunca estivessem errados, jogando a culpa sobre elas e a todo custo tentam reverter a situação de conflito para que elas sintam-se mal. O relacionamento se torna destrutivo. Fica um ciclo vicioso e ele sempre tem que ter a razão. As regras e direitos não são as mesmos para os dois. Não é raro que algumas mulheres realmente se sintam culpadas e responsáveis pelo erro ou insucesso da relação.

Todavia, vale exaltar o quanto também existem homens que realmente respeitam as relações. Que concretizam atitudes de amor, proteção e cuidado. Não colocam as pessoas como frágeis ou inferiores a ele, mas sim as trata com dignidade. São homens que conhecem o peso de sua responsabilidade e sabem a importância de sua função. Estes homens não abandonam suas famílias, e ainda, não acham que cuidar dos os filhos é papel da mulher somente da mulher. Ah, se os pais ausentes soubessem o quanto é importante o papel deles para o desenvolvimento dos filhos. E digo mais, não é só importante para os filhos, mas sim para o seu próprio desenvolvimento. O quanto estão deixando de aprender com o filhos e terem experiências fantásticas com os pequenos. Quando nasce um filho, nasce também um pai. A presença paternal é pedra preciosa no processo educativo, no ensino dos valores e no desenvolvimento. Quando um pai deixa um filho, ele deixa um pedaço de si.

Estamos passando por tempo em que as crianças estão sendo abandonadas. Refiro-me aqui não as que estão em situação de rua, mas amplio o conceito de abandono ao retratar uma realidade em que os filhos estão ficando órfãos de pais vivos. Os pais vão ficando ausentes, não dão a assistência e afeto necessário. Não conseguem colocar limites e falta tempo para escutarem seus filhos. Não vivem mais momentos extraordinários e marcantes em suas relações. A marca que fica é a do vazio, da negligencia e do descaso.

Digo tudo isso para verdadeiramente repensarmos sobre o papel do homem. Sua missão é bela e necessita de um olharpara si mesmo, repensando sua participação com sua casa e com sua família. Ao exercer o cuidado, a proteção e a segurança, e até mesmo que seja o provedor, isso não o faz melhor, mas apenas alguém que possui uma “responsabilidade” diferente dos outros membros.

Necessitamos desmitificar todo o machismo para compreender que homem também sente, que pode amar e se expressar. A função paterna tem uma extrema importância na formação dos filhos e na consistência de uma casa. Uso a palavra função paterna, pois nem sempre é o pai (homem) que realiza esse papel, mas sim outras pessoas que assumem essa função. Bom, essa discussão é longa e não daria para expressarmos tudo aqui. Apenas, finalizo alertando que homem de ferro realmente só existe nos cinemas.

Lucas Botta Antonelli
Psicólogo – CRP 08/21088
Cianorte-PR
[email protected]

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