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Em maio de 2015, o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato si’, conclamando os cristãos e demais pessoas a refletirem e atuarem pela preservação do planeta, a Casa Comum, que abriga todos os seres viventes.

No item 224, a encíclica papal nos apresenta o seguinte texto: “A sobriedade e a humildade não gozaram de positiva consideração no século passado. Mas, quando se debilita de forma generalizada o exercício dalguma virtude na vida pessoal e social, isso acaba por provocar variados desequilíbrios, mesmo ambientais. Por isso, não basta falar apenas da integridade dos ecossistemas; é preciso ter a coragem de falar da integridade da vida humana, da necessidade de incentivar e conjugar todos os grandes valores. O desaparecimento da humildade, num ser humano excessivamente entusiasmado com a possibilidade de dominar tudo sem limite algum, só pode acabar por prejudicar a sociedade e o meio ambiente. Não é fácil desenvolver esta humildade sadia e uma sobriedade feliz, se nos tornamos autônomos, se excluímos Deus da nossa vida, fazendo o nosso eu ocupar o Seu lugar, se pensamos ser a nossa subjetividade que determina o que é mal”.

O grande mercado nem sempre pesa essa sobriedade e humildade, provocando desequilíbrios. Impõe a ideologia do consumo em excesso, da extração sem ponderar os danos ambientais, em que o dinheiro imediato é prêmio consolador e o alto lucro é sinônimo de competência, ainda que às custas da destruição da natureza e da perda de qualidade da vida humana e dos demais seres.

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus-AM, destaca que “humanos são dotados de inteligência, fé, e por vezes [nós] cuidamos pouco da Casa Comum, diferente dos demais seres que não dependem de nós para sobreviver, em muitas situações, mais amáveis”.

Pesados esses desafios, a partir da encíclica, vimos se multiplicarem iniciativas de consciência e resistência ao processo destruidor, possibilitando maior espaço de construção e reconstrução do bem comum. Entre essas, pastorais e movimentos de adultos, jovens e crianças têm se engajado mais em campanhas pela reciclagem de materiais descartados, em limpezas e outros cuidados em rios e nascentes, na participação de fóruns de debates e decisões sobre o meio ambiente, na fiscalização e denúncias contra queimadas, além de apoios a equipes de defesa das espécies terrestres e aquáticas ameaçadas de extinção

Trazendo a reflexão para nossa Diocese de Umuarama, não podemos nos esquecer do embate com o mosquito da dengue, que tem causado sofrimento a milhares de famílias e muitas mortes, além de grandes gastos no Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros efeitos danosos. Ainda nessa mesma linha, o novo Coronavírus, por maior risco de letalidade, deve ser considerado em nossas preocupações ambientais. A Casa Comum pede socorro, em favor de cada um de nós.

Paulino Alves de Almeida Comunidade São Miguel, Setor 12, Paróquia São Francisco de Assis. É um dos representantes da Mitra Diocesana no CMMA – Conselho Municipal de Meio Ambiente de Umuarama. [email protected]

Informativo Diocesano (Diocese de Umuarama) – ano 45 – Nº468 – Agosto de 2020.

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