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Inspirados pelo 4° Congresso Vocacional do
Brasil, o mês vocacional deste ano, 2020, tem como
tema: Amados e chamados por Deus, e o lema: “És
precioso a meus olhos… Eu te amo” (Is 43,4).

Vocação vem da palavra “vocare” que significa chamado, por isso vocação é a resposta humana a um chamado divino. Costuma-se distinguir cinco grandes tipos de vocação. Uma não exclui a outra, muito pelo contrário, se supõem e se completam.

O primeiro dos chamados divino é a vocação à vida. Todos nós vivemos porque fomos chamados à existência. Ninguém vive porque decidiu viver. Alguém nos chamou para a vida (cf. Gn 1,27). Toda vocação corresponde a uma missão, por isso a vocação à vida exige de nós o compromisso de defendê-la e de promovê-la em toda a sua amplitude: saúde, educação, oportunidade de trabalho, lazer, espiritualidade, etc. O Papa Francisco nos diz: “Somos chamados à defesa e ao serviço da vida desde a concepção no ventre materno até a idade avançada, quando ela é marcada pela enfermidade e pelo sofrimento. Não é lícito destruir a vida, torná-la objeto de experimentações ou falsas concepções”

O segundo tipo é a vocação à santidade. São Paulo diz que a vontade de Deus é a nossa santificação (1Ts 4,3). “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). Ser Santo é fazer em tudo a vontade de Deus Pai, é corresponder ao seu amor divino, é ficar longe de tudo o que é pecado, do que nos impede de viver na graça divina. A vocação à santidade sempre foi necessária. Para ser santo não é necessário que se faça algo extraordinário (cf. Mt 28,34-41). Basta viver com amor e fé as ocupações ordinárias de cada dia. A nossa santidade deve vir d’Ele e existir para Ele, precisa ser encarnada na história em que vivemos, assim como Jesus o fez.

O terceiro tipo é a vocação que nos leva a assumir um “estado de vida”, ou seja, é por meio dela que se assume a vida laical (solteiro, casado, viúvo ou consagrado), ou a vida consagrada por intermédio dos Conselhos Evangélicos de pobreza, obediência e castidade (religiosas ou religiosos), ou a vida dos ministérios ordenados (diácono, padre, bispo). Esta vocação é de importância capital. Um desses três estados vocacionais (laical, consagrado, ordenado) nos foi dado no dia do nosso batismo, são caminhos de santidade e refletem a vontade do Criador.

O quarto tipo chama-se vocação profissional. O trabalho é uma das características do ser humano por meio do qual a pessoa realiza-se, aperfeiçoa a obra da criação, colabora com o progresso social na sociedade na qual está inserida, e na Igreja contribui com a obra de Evangelização. Pelo trabalho, criamos novas realidades, refletimos a ação do Criador. No entanto, após o pecado original, o trabalho excessivo pode se tornar instrumento de dominação, exploração e destruição. Daí a importância de olharmos o trabalho como vocação e de escolhermos uma profissão que realmente nos realize, que nos santifique e nos faça pessoas felizes.

O quinto tipo vocacional é o que acontece dentro da comunidade eclesial. Assumir ministérios (serviços) na Igreja é também uma vocação. O exercício deles supõe o chamado divino e exige disponibilidade de quem se sente chamado. Se é graça o chamado, é graça também a resposta. Por isso, só se entende vocação em um clima de fé e oração. São Paulo aos Coríntios diz: “Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor (1Cor 12, 4-5). Os ministérios são diversos, porque diversas são as necessidades humanas e espirituais do Povo de Deus. Quando assumimos nossos dons, talentos e carismas na comunidade eclesial (Igreja), ajudamos a Cristo e a Igreja a salvar pessoas, que é a sua missão principal, por isso ela é chamada de “Igreja, comunidade de salvação” (cf. LG,1; GS, 40).

Pe. Othon Etienne Pároco da Paróquia Santa Clara de Assis – Umuarama – PR [email protected]

Informativo Diocesano (Diocese de Umuarama) – ano 45 – Nº468 – Agosto de 2020.

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