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“Quando somos capazes de ajudar os pais a ajudarem aos filhos, o que fazemos na verdade é ajudá-los eles mesmos” (D. Winnicott)

A educação das crianças é um grande desafio para os pais ou para aqueles(as) que exercem essa função. Não há um manual a seguir, não uma forma única de se fazer, até mesmo porque cada criança e família possuem suas especificidades e enfrentam diversas realidades culturais, econômicas e sociais. Além disso, a sociedade e os valores nela transmitidos vão se transformando com o avanço da tecnologia e da informação e, com isso, muitos adultos vêem-se com dificuldades de conciliar a educação que tiveram na época em que eram crianças, com as exigências da educação para os pequenos de agora. Há uma comunicação entre a “criança do adulto” e a criança que o adulto é responsável em cuidar. A carga genética e emocional vem à tona e alguns pais querem reproduzir esse cuidado ou até mesmo fornecer a criança tudo aquilo que ele não teve. Muitos pais repetem suas histórias em seus filhos e até mesmo passam para eles aquilo que eles mesmos desconhecem de sua criação. Todos nós precisamos passar pelo processo educativo, a fim de melhorar as relações “Pais-Filhos”/ Cuidadores-Crianças”.

A educação gera esforço, flexibilidade, equilíbrio e dá muito trabalho. Não é raro vermos mães, pais, cuidadores e professores cansados de lidarem cotidianamente com as crianças, que demandam grande atenção. Apesar disso, não há algo mais doloroso para uma criança crescer ouvindo que ela é um peso.  Educar gera insegurança e muitas vezes existem o medo de errar.  Muitos pais se cobram constantemente e se culpam por não conseguirem ser o ideal que eles mesmos imaginaram ou que a sociedade exige. É comum nesses casos, haver uma “supercompensação” com presentes ou atendendo tudo aquilo que as crianças pedem. Isso gera um problemão! As crianças acabam tendo tudo aquilo que desejam. Não se frustram e não aprendem a lidar com a falta e resolver os problemas. Ainda há adultos que acham que se uma criança passar por alguma frustração ou faltar algo para ela, se tornará um adulto frustrado. Sendo assim, vai enchendo a vida destes (a) pequenos (as) de parafernálias, na base da troca e do “tudo pode”, que não sabe lidar com o “Não”. Tudo isso para aliviar a culpa das ausências ou de querer que o filho tenha tudo.  Na verdade, a frustração é importantíssima! Na medida certa, sem deixar a criança passar por necessidades, mostramos  que arte da vida é aprender lidar com os problemas e com as dificuldades, usando a criatividade e imaginação. É aprender que viver em sociedade é ter limites, barreiras e regras. Que não se pode ter tudo que ser quer. Muitos pais atendem todos os desejos da criança, mas esquecem de dar aquilo que elas realmente necessitam, como: amor, carinho, amparo, segurança e, também limites! Limite é uma forma de amar, proteger e assegurar. Podemos dizer, que as crianças abandonadas não são apenas aquelas em situação de rua, mas sim aquelas que não possuem um ambiente saudável de se viver, aquelas que não são olhadas, instruídas, acolhidas e amparadas. Ambiente não se diz apenas de lugar, mas sim de pessoas que estão envolvidas nesse processo de cuidado. A criança precisa de um lugar que ela pode ser ela, que é respeitada e tem o direito de expressar seus sentimentos e emoções. Um lugar que entendam que brincar é algo sério, que as experiências e vivências iniciais são fundamentais para os anos seguintes. Educar é jogo de equilíbrio, às vezes dá para dar as coisas, outras vezes não. Como dizia Winnicott, sobre a “mãe suficientemente boa”, que a próprio nome diz: Suficiente, um cuidado que atenda suficientemente a criança em suas necessidades, mas que também lhe dê segurança e continência.

Aquilo que impede o desenvolvimento da criança, como: não a deixá-la lidar com frustrações, não ter limites, não impulsioná-la a perseverar, não ensiná-la a esperar e ter paciência, não brincar, não criar, experimentar, construir, recomeçar, respeitar regras e pessoas, ou até mesmo não deixá-la “se virar” sozinha, torna-se um ato violento ao psiquismo e ao futuro dessa vida. As crianças são reflexos dos ambientes que elas vieram e vivem. Educar é caminhar com a criança e não caminhar para a criança. Há uma grande diferença nisso. Desde cedo, devem aprender que são que capazes e responsáveis, devem ser estimuladas e incentivadas para vida.  Para isso, há um papel fundamental do afeto, da palavra e do sentimento que envolve toda a educação. Educar não basta apenas dizer, mas sim fazer. As palavras ensinam, mas o exemplo educa. Não tem como ter uma educação perfeita. Não há como ser perfeito. Talvez esse seja o maior ensinamento, que diante das imperfeições, podemos amar e encontrar coisas maravilhosas em nós;

Lucas Botta Antonelli
CRP 08/21088
Cianorte – PR
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