Artigos e Notícias

O tempo é implacável, chegamos ao mês de agosto, em que a Igreja evidencia as vocações do homem e da mulher, colocando para o mundo que nossa existência vai além da nossa rotina diária. Você é muito mais do que sua profissão ou sua função na sociedade, e não é o que você faz que lhe dá valor, mas sim quem você é! Alguém que Deus chamou à existência com um fim específico e que seu coração deseja descobrir qual é a sua missão.

Lembro bem das tardes chuvosas na minha infância, dia de chuva era sinônimo de “bolinho de chuva” e filme na “sessão da tarde”, que delícia, ser cuidado e ter um tempo só para a gente, em que nem me passava pela mente o que seria quando crescesse, qual seria meu papel na sociedade, se teria uma esposa ou filhos, ou o que eu deveria ser no meio deste imenso mundo. Você se identificou com estes questionamentos? Ou nasceu sabendo o que seria no mundo? É claro que temos nossas lembranças, e provavelmente as suas sejam diferentes, quem sabe tardes chuvosas eram sinônimo de pipoca, talvez de pão com manteiga ou de trabalho doméstico. Enfim, o que temos em comum é que ficávamos em família quando éramos impedidos de sair de casa!

Neste ano de 2020 uma tempestade chamada COVID-19 ou CORONAVÍRUS assolou o mundo e colocou todos em uma situação de isolamento social! Será? Isolamento nos arremete a ficar “só”, sem contato com a sociedade, e o quadro que percebemos é que muitas pessoas que antes se sentiam solitárias redescobriram a presença em meio a sua família!

São João Paulo II em sua exortação apostólica, Familiaris Consortio, diz que na família constitui-se um complexo de relações interpessoais – vida conjugal, paternidade-maternidade, filiação, fraternidade – mediante as quais cada pessoa humana é introduzida na «família humana» e na «família de Deus», que é a Igreja. É nela que aprendemos a ser gente, como pai, mãe, filho, irmão, sobrinho, neto, tio, mas principalmente Igreja, isso mesmo, ser Igreja se aprende em casa e não somente no Templo Edificado em nossa paróquia!

A vocação da família é fazer com que a Igreja encontre, assim, na família, nascida do sacramento, o seu berço e o lugar onde pode atuar a própria inserção nas gerações humanas, e esta, reciprocamente, na Igreja, diz São João Paulo II.

Seremos Igreja somente se aprendermos a ser Família! A pandemia veio nos ensinar esta grande lição, tirando-nos do ativismo pastoral fora de nosso lar e nos lançando diretamente no colo familiar, para ali descobrirmos e vivermos as verdades evangélicas, sendo a maior delas o Amor.

Partindo do amor e em permanente referência a ele, podemos evidenciar quatro deveres gerais da família: 1) a formação de uma comunidade de pessoas; 2) o serviço à vida; 3) a participação no desenvolvimento da sociedade; 4) a participação na vida e na missão da Igreja.

 

A cura para os males do mundo está na família, fundada e vivificada pelo amor, é uma comunidade de pessoas: dos esposos, homem e mulher, dos pais e dos filhos, dos parentes; e a sua primeira tarefa é a de viver fielmente a realidade da comunhão em um constante empenho por fazer crescer uma autêntica comunidade de pessoas, rezando e trabalhando para o bem comum.

Vivemos um tempo propício para a família cristã santificar-se e santificar a comunidade cristã e o mundo, por meio do diálogo, da partilha de tarefas e bens, da solidariedade para com os necessitados, do perdão e aproximação daqueles que se fecham em sua solidão.

A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) propõe para este ano uma Edição Especial da Semana Nacional da Família 2020, com o tema “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24, 15), que acontecerá de 09 a 15 de agosto.

Somos chamados a viver plenamente a vontade de Deus em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas casas, por meio da dimensão do serviço

Fazer “bolinho de chuva” é uma forma de servir, que façamos “bolinhos de perdão, de carinho, de compreensão, de acolhimento, de paciência, de ajuda e principalmente de amor” nestes dias de recolhimento familiar, e não de isolamento social!

O Recolhimento Familiar gera ternura, frente a um mundo corrompido pelos interesses políticos- -ideológicos polarizados! Deixemos os termos de “direita, centro ou esquerda”, e passemos a ser Família Cristã que luta pela vida!

“Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24, 15).

Paz e bem!

Paulo Angelo Lourenço dos Santos Coordenador do Centro de Estudos Teológicos São Paulo VI Cianorte – PR [email protected]

Informativo Diocesano (Diocese de Umuarama) – ano 45 – Nº468 – Agosto de 2020.

Deixar um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.