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Irmãos e Irmãs de nossa Igreja-Irmã de Umuarama

Volto a ler a Exortação pós- -sinodal “Querida Amazônia”, do Papa Francisco. Volto a lembrar das conclusões do Sínodo Pan- -Amazônico de outubro passado. Pergunto: O que ficou? Pois bem, nossa assembleia diocesana precisa trabalhar este tema: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral.

O que chama nossa atenção no documento final do Sínodo é a divisão em capítulos que insistem na conversão: Da escuta à conversão integral (I), novos caminhos de conversão pastoral (II), conversão cultural, conversão ecológica, conversão sinodal… Já a Exortação do Papa Francisco: “Querida Amazônia” insiste em “Sonhos para a Amazônia”. Primeiro vem o sonho social, depois o sonho cultural (II). Segue o sonho ecológico (III) e conclui com o sonho eclesial (IV). Embora sejam documentos diferentes, podemos perceber as profundas semelhanças. Papa Francisco participou do Sínodo do início ao fim – bem atento. Em Aparecida, 2007, ele era relator do texto. Portanto, ele conhecia bem a temática, embora nunca trabalhasse na Amazônia. Lembro-me de sua postura em Puerto Maldonado (19/01/2018), quando estava lá para ouvir, com os bispos, as lideranças indígenas.

Vamos conjugar os textos e sentir suas interpelações: É preciso sonhar e se converter! Sonhar de outra realidade. Converter-se para outros caminhos, objetivos e metas, posturas e programas, prioridades e ações. São textos que nos encorajam e que falam em ousadia e da presença do Espírito Santo que “renova a face da terra”. Falam da presença de Deus, das criaturas e culturas, e que precisam ser respeitadas. Da natureza e dos pobres que, urgentemente, querem ser ouvidos e promovidos. Incentivam a nos libertar de tradições e esquemas caducos e nos reorganizar com liberdade e criatividade.

E como vamos reagir aqui, em Humaitá, Manicoré e Apuí? Temos sonhos e queremos nos converter? Estamos dispostos a ser criativos, não pela criatividade, mas pela fidelidade a Jesus Cristo e ao homem concreto, de preferência esquecido e pobre? Para salvar a “mãe terra”, tão espoliada e explorada que não consegue se recuperar?

Certamente vamos descobrir que nossos sonhos não são tão diferentes do sonho do Pobre de Nazaré. A conversão “cobrada” de nós, enquanto tivermos tempo, está bem sintonizada aos apelos que ecoam por toda parte na Bíblia: Convertei-vos! Na verdade, Deus nos pede a conversão para a realidade que não queremos nem ver nem ouvir – tomados pela mania de valorizar as aparências e futilidades. O caminho da conversão e realização dos sonhos mais nobres não carecerá de incompreensões e conflitos. Será um caminho de pedras e cruzes, mas também de uma sobriedade feliz, de comunhão com todos os homens e mulheres de boa vontade, com a natureza irmanada… Caminho com mais poesia do que dogmas. Caminho livre para as crianças pularem de alegria e os idosos andarem sem perigo…

O que vamos fazer para realizar estes sonhos tão humanos e universais? Sem dúvida, precisaremos de uma profunda mística que nos leve para dentro de nós e às veias de um imenso potencial escondido: O Reino de Deus está no meio de nós!

Dom Francisco Meinrad Merkel, CSSp
Bispo de Humaitá – AM
[email protected]

Fonte: Informativo Diocesano – Ano 45 – Número 467 – Julho de 2020.

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