Artigos e Notícias

Considerando o tema proposto para o Informativo Diocesano deste mês de julho, propomo-nos a apresentarmos o tema vocação como partilha do coração. Porque toda vocação nasce do coração amoroso de Deus, que chama, considera uma resposta e envia para uma missão. Missão esta que implica um partilhar de vida, uma doação, uma entrega. Vocação, refere-se ao encontro, uma relação interpessoal, uma realidade dialógica entre Deus que chama e a pessoa que responde. Ele chama quem ele quer, e para o que ele quer (cf. Mc 3,13). “Não sois vós que me escolhestes, eu vos escolhi” (Jo 15,16).

Na experiência o (a) vocacionado (a) pergunta: “Que queres que eu faça por ti?” (1Sm 20,4). Trata-se de uma relação de amizade. “Vos chamo de amigos” (Jo 15,15). Nesse sentido, o Documento Pontifício sobre as vocações eclesiásticas (1997, n.º 27) apresenta que Deus nos chama, convoca-nos, incita-nos a viver uma vida engajada na construção do seu Reino. Aqui está a originalidade da vocação cristã, a convocação para a realização e o serviço da comunidade que nos interpela. Isto é, uma vida cristã permeada pela partilha feita, doação, sobretudo aos mais pobres e excluídos.

Nesta perspectiva, toda vocação na Igreja é um dom a ser vivido para o outro, como partilha de vida, serviço de caridade na liberdade. Então, é também um dom a ser vivido com o outro. Por isso, só se descobre quando a vivemos em fraternidade e na partilha da doação da própria vida. Portanto, vocação é relação; é manifestação do homem que Deus criou aberto à relação.

Em vista disso, toda vocação implica capacidade de abertura e de partilha que só pode ser adquirida com a experiência de uma verdadeira fraternidade. É a superação de uma visão individualista, isolada em um ministério, para o serviço na comunidade. Uma decisiva contribuição histórica de alteridade para o bem do irmão que mais sofre, presente o próprio Cristo (cf. Mt, 25, 31-46).

O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, engrandece os homens e mulheres que, nos mosteiros, escolas, hospitais ou missões, embelezam a Igreja com a sua perseverante e humilde fidelidade à sua consagração. São pessoas que, partilhando suas vidas, prestam generosamente ao mundo e à humanidade os mais variados serviços (LG, 46). No êxodo para o outro, essa fala do Vaticano II tornase visível nesse tempo de pandemia do Coronavírus, por meio dos notáveis gestos vocacionais de solidariedade, partilha de vida e bens materiais para com as pessoas que sofrem maior vulnerabilidade.

Nesta reflexão, pode nos ajudar a letra e a música de Tony Daniel (2015), que aqui descrevo: “Se a missão se faz cansaço / Jesus convida a descansar. /E se há ovelha sem pastor / É necessário dela cuidar. Refrão: Dai-lhes vós mesmos de comer […] Partilhar é vocação/ Partilhar é vocação”.

Enfim, também é válido para todas as vocações o que o Papa Francisco (2017) refletiu com os jovens presbíteros sobre o fascínio do chamado e o compromisso que ele exige, com o tema “partilhar a vida”. Assim afirma, “vocação é partilhar com o coração. Um arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos. Por isso é necessário carregar na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai”.

Ir. Dirce Gomes da Silva – ICP
Coordenação Diocesana SAV/Pastoral Vocacional
Tapejara – PR

Fonte: Informativo Diocesano – Ano 45 – Número 467 – Julho de 2020.

Deixar um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.